quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sobre os protestos no nosso país, uma opinião pessoal.



Nunca fui partidário ou ativista em movimentos sociais, mas tenho observado com muita atenção e admiração tudo que vem ocorrendo no meu país nos últimos dias. O que se observava era um nítido comodismo, no qual estávamos inertes e silenciosos, como cúmplices de um crime perfeito, que ocorria por de trás dos panos, sem que ao menos pudéssemos perceber, ou intervir. Mas, inesperadamente, o gigante acordou! Para a surpresa de todos e em especial dos líderes dessa hierarquia invisível na qual estamos inseridos. Quase todas as capitais brasileiras estão inseridas nesse movimento que se alastra como gasolina em fogo! E por isso a minha admiração! E por isso esse texto! E por isso a vontade de ir pras ruas! É muito bonito ver algo que não era visto desde os tempos do fim da ditadura militar, na metade dos anos oitenta, ou mesmo não indo tão longe, com os "caras pintadas", no início da década de noventa, movimentos nos quais existia a essência, e o real intuito de mudança. Interessante ver que este movimento está sendo alicerçado por jovens, uma juventude cheia de vontade de mudança! Várias pessoas de todas as classes e idades abdicando de interesses individuais em prol de um interesse coletivo, algo bem maior do que todos nós! Numa sociedade que preza pelo individualismo e pelo egocentrismo, isso é no mínimo admirável! Todos unidos em prol de derrubar interesses partidários e privados e fugir de uma lógica que impõe alternância de poder, e não mudança. É importante ressaltar que o contexto é um só, mas de acordo com cada capital, os interesses podem ser considerados específicos, como a redução do valor do transporte publico, a qualificação do transporte urbano, que são focos em quase todas as cidades, além da luta contra a corrupção que é algo inerente ao nosso país. Na verdade, trata-se de uma "bola de neve" que se acumulou durante muitos anos no qual observamos tudo de maneira passiva, omissa e agora acordamos e estamos na luta!


Eu não repudio a Copa no Brasil (nem a Seleção de Futebol do meu país), pois, apesar dos pesares, esta que está nos dando a possibilidade de midiatização dos nossos interesses coletivos, de maneira tal que, caso não houvesse copa, talvez nem ocorreria movimento social. Já pararam pra pensar nisso? Ressalto a importância de que os protestos devem por obrigação serem pacíficos, pois vândalos infiltrados acabam somente 'manchando' o real sentido do movimento e desvirtuando a paz que deveria ser sempre presente em todo e qualquer movimento social.

Acredito que o boicote alavancaria os interesses dos protestos pacíficos, que em tese, em muitas ocasiões, acabam não alcançando completamente os seus objetivos, já que as causas são muitas e o "prejuízo" para o Estado é pouco, ou nenhum. O boicote seria simples, por exemplo: a causa é a "redução do valor de passagens do transporte público", simplesmente as pessoas ligadas ao protesto deveriam boicotá-lo o máximo que pudessem, logo, os empresários, detentores das empresas de ônibus, teriam prejuízo e reduziriam o valor da passagem, satisfazendo assim um interesse coletivo. É claro que isso deve ser aliado a prática de protesto pacífico.

Certamente, esses protestos resgataram o sentimento de "ser" brasileiro, de amar o país, de sair nas ruas, de acreditar na mudança! Porém precisamos de mais pão e menos circo, porque de circo o povo está cheio, e, cá entre nós, circo não enche a barriga de ninguém! Que se expanda o batimento do nosso coração. Que se torne ponte, caminho, lugar e casa! Pra que nunca o nosso silêncio seja cúmplice da corrupção e abuso de poder. A grande notícia chegou, espalhem! Nós somos o movimento! Há pessoas caminhando em todo tempo e em todo lugar, não podemos parar!

Obs: Obrigado a todos que leram até aqui. Espero que esses acontecimentos gerem o que buscamos, e que estes estejam nos livros de história para nossos filhos se orgulharem! #OGiganteAcordou #VemPraRua

Obs: Imagem feita no protesto da cidade de Fortaleza na data 19/06/13.

Créditos da imagem: Light Panic.

domingo, 20 de novembro de 2011

Valor e Desvalor


Tenho pensado muito a respeito disso nos últimos meses, demorei, mas finalmente resolvi postar a respeito.

Uma tendência natural do ser humano é: quanto mais valoriza, mais é desvalorizado. E quanto menos valoriza, mais é valorizado. São elementos inversamente proporcionais. Lendo assim parece uma parada meio "sacal". Obviamente, não é preciso ser nenhum "expert" pra regidir a respeito, mas é preciso refletir sobre isso. Vivenciei muitas coisas na vida que me provaram isso. Aliás, todas as pessoas já viveram ambas as situações algum dia e já deviam ter tomado essa conclusão, embora eu acredite que a maioria das pessoas já tenha tomado.

Cansei de esbanjar atenção, carinho, ser o "bom moço", e fazer tudo que alguém quiser. Isso abre margem para o desvalorizamento. Não que eu tenha cansado no sentido de ter desistido de ser uma pessoa assim (a essência permanece). Agora, criei um certo bloqueio. Só dá pra ser assim quando há reciprocidade, e portanto, nenhum problema em relação ao "desvalor". Diríamos que criei uma certa imunidade.

Em contrapartida, observei situações em que o desvalor foi cultivado e o outro lado, a pessoa que foi desvalorizada, supervalorizou-o. E comigo sempre foi assim, principalmente no âmbito de valorizar demais e ser desvalorizado. Contudo, quando vamos adquirindo certa maturidade, vamos enxergando as coisas com mais clareza, com mais objetividade, com mais sutileza, analisando as possiblidades que cada contexto nos remete, passando a agir com maior discernimento. E assim vamos deixando a inocência e a ingenuidade e passamos a agir conforme as pessoas agem conosco.

Algo que precisa ser refletido também são as "projeções". Projeções de seres perfeitos que habitualmente criamos, gente: seres perfeitos não existem! O ser humano é imperfeito por natureza. Essas "projeções" de seres perfeitos acabam fazendo com que cultivemos o "valor exagerado" e com ele vem a ilusão, e acabamos sendo desvalorizados. Portanto, pés no chão.

Pense duas vezes antes de valorizar outrém. Espere o mínimo de reciprocidade. Não doe seu coração, se não tiver a certeza que ele quer ser minimamente recebido. Valorize quem te valoriza (ao seu modo). Não valorize quem não te valoriza. Aguarde, seu tempo chegará.

domingo, 24 de abril de 2011

Unidade


Eu não costumo postar nesse blog habitualmente, só quando algo atinge meu ego, de forma a me gerar uma necessidade de escrever. E aqui estou, porque esse assunto me atingiu de forma tal, em um contexto da minha vida.

Então, vamos lá: unidade provém de união, e união quer dizer se unir em prol de algo. Quando uma ou mais vontades se unem em prol de alguma coisa, então podemos chamar de "unidade". Seja em um contexto familiar, em um contexto afetivo, em um contexto de amizade, ou em um contexto qualquer, em que algumas pessoas visem se associar para produzir algo que dê trabalho, mas que gere alguma conseqüência positiva. Eis o significado de unidade.

Contudo, em muitas ocasiões, em que, por exemplo, uma pessoa perde o foco, ela deixa de produzir na mesma freqüência que as demais, a unidade deixa de existir, e o objetivo se torna mais distante. Em um namoro, por exemplo, quando uma das duas partes começa a deixar o foco "ficarmos juntos e sermos felizes", o namoro começa a desgastar e perde a unidade, até perder sua essência e chegar ao fim. O mesmo processo ocorre com os demais processos que envolvem uma "unidade". Quando pessoas estão dentro de um processo visando conquistar algo, e associando seus "braços", isso também é considerado um processo de unidade. São diferentes opiniões construindo consenso, em prol de um mesmo objetivo. Porém, quando uma, ou mais pessoas deixa o foco de lado, esse processo de unidade vai se desfazendo aos poucos, e como no exemplo do namoro, ao tempo que vai se desfazendo, vai perdendo sua essência, até se esvair.

O que eu quero dizer com tudo isso? Simples: onde há unidade, haverá êxito! Haverá vitória, haverá sucesso, mesmo que à longo prazo. Quando a unidade começa a se desfazer a partir de uma peça, esqueça! É que nem quebra-cabeça, vai se desfazer e acabar. A não ser que.. você tenha o "plano b", uma peça de reposição, alguém que queira adentrar no processo de "unidade" para produzir tão quão os demais, mas aí já é mais difícil. Recado dado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Controle de Fluxo


Falo sobre isso com um leiguismo tão grande quanto o de qualquer pessoa que esteja lendo isto neste momento. Apenas me baseio por vivências, e um pouco que sei relacionado ao assunto. O auto-controle ou "Controle de Fluxo", aqui assim citado é algo inerente a todos nós seres humanos, mas nunca fácil de lhe dar.

Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação, como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Situações ocorrem e nós estamos indo a todo vapor, para onde não sabemos. É o mesmo que estarmos livres, num vôo solitário, sem saber para onde vamos. É quando seu pensamento fala com você e te gere um leque de indagações: Se não agora, quando? Se não você? Então, quem? É simplesmente como vivemos. Tudo de uma só vez, fazendo com que tudo se misture: sentimentos, desejos, anseios.. e acabamos (em alguns casos) até criando bloqueios. Viver é bem difícil, e mais difícil ainda quando além de não sabermos como agir, não sabermos exercitar o auto-controle. Tentamos prever como será tudo que condiz nossa própria vida, criamos uma ânsia incontrolável. Não controlar formas de agir e muito menos de pensar dizem respeito diretamente a ausência do auto-controle. É como sempre controlar seus passos, planejar seus atos, ou tudo isso associado como um monte de sensações próprias misturadas e jogadas pra você viver e controlar sem saber nem ao menos por onde começar. É tudo sobre como evitar a dor. Não dá pra manter o jogo sem falhar. O auto-controle está diretamente associado ao erro. Você é como uma máquina, porém uma máquina que fala, que sente, que pensa, que age, que tem sensações, que tem sentimentos, que vive! Contudo é difícil de lhe dar com toda essa vivência e exatamente por isso precisamos exercitar o auto-controle.

Há uma situação em que é essêncial a prática do auto-controle. Situações diretamentes associadas ao instinto de ser humano. O ser humano é instintivo por natureza, logo, acaba por praticar atos impesáveis, os justificando através do instinto. É justamente nesse momento, e na sua repetição, que é necessário praticá-lo, pois a ausência de controle, nos causa danos. Outra situação em que o controle de fluxo se agrava e se torna ausente é dentro de uma relação afetiva. Quando se gosta de alguém, muitas vezes a emoção sobrepõe a razão gerando um deseqüilíbrio perceptível, a ponto de você muitas vezes não se controlar, e acabar se rebaixando para quem você gosta, pelo simples fato de querer "manter tudo bem". O outro lado sempre vai te mostrar pretextos que mostram apenas as "costas", para te manter próximo. E você sempre irá tentar apaziguar as coisas, se rebaixando, pra que tudo fique bem. É nesse momento que ocorre a ausência do auto-controle. É preciso exercitá-lo.

Algo importante que vale ser ressaltado: a mudança surge a partir do momento que assumimos pra nós mesmos que estamos errados. E isso faz parte do auto-controle. Julgar estarmos certos sempre está intimamente ligado a não termos o controle de nós mesmos, do que é certo ou errado. É necessário dicernimento, e assumir os próprios erros, ouvir a opinião dos outros. É fazer com que a prática não negue a teoria. Isso em suma é o auto-controle.

Quando eu disse que o exercício do auto-controle é difícil eu estava querendo tornar claro que é muito mais difícil quanto aparenta ser, pois engloba uma série de fatores. É necessário saber controlar um pouco de tudo, dos seus desejos, dos seus anseios, de suas vontades, de suas relações, de suas amizades, de sua família. Não é fácil, porém, todos nós temos uma fuga diferente. Desejamos ser livres, o que pode nos impedir de tentar? (Essa liberdade está diretamente ligada ao nosso modo de pensar).

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Palhaço Pagliacci, a metáfora da vida real


Bem leitores, havia algum tempo que eu não postava nada por aqui (e botem tempo nisso). O último post foi em março desse ano. Para não finalizar o ano sem postar nada, resolvi escrever sobre a história do palhaço pagliacci, que embora fictícia, retrata pra mim, uma metáfora da vida real. E exatamente por esse motivo, me inspirou a escrever esta reflexão e uma letra para minha banda com o mesmo título "pagliacci", que hoje se tornou uma bela canção.



Eis a história:


"Um homem vai ao médico e diz que está deprimido, que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador, onde o que se anuncia é vago e incerto.

O médico diz: - O tratamento é simples: o grande palhaço Pagliacci está na cidade esta noite, vá ao show, isso deve animar você.

O homem então começa a chorar copiosamente e diz:
- Mas, doutor.. eu sou o Pagliacci."


Reflexão

Após este prólogo, vocês poderão entender o que realmente quero dizer quando me refiro a história do palhaço pagliacci como uma metáfora da vida real.

A questão é o ver "além" desta nobre história, explico-os: nesta história, para mim, existe uma forte correlação com a vida de nós seres humanos que vivem duas vidas. Um dualismo que cria ''dois seres" em um mesmo ser. Na verdade, já pararam pra pensar que todo mundo tem um ''pagliacci'' dentro de si, ou melhor, todo mundo tem um ''palhaço'' dentro de si? Que ali, naquela exatidão se sente perfeitamente bem, mas quando para e olha para si mesmo, vê que nada daquilo faz ou fazia sentido, vê que tudo não passou de capas revestidas de transparências? Esta história e esta reflexão (assim como a letra da minha banda refletida nesta história) têm juntas a proposta de trazer para as pessoas questionamentos individuais de "quem é você?", ou seja, meio que auto-questionamento, um "espelho de si mesmo". Somos todos palhaços que ao olharmos para si, choramos ao ver o tamanho da nossa imperfeição.


Agora, segue a letra da minha banda intitulada "pagliacci" e refletida nesta história:

Pagliacci
(Iago Barreto)

A celebração se inicia com o ato
Vestindo sua máscara, revelando seu sorriso
E as pinturas condizem a mesma contradição (contradição)
Que está exposta em seus punhos (tão vazios)

Na criação de dois mundos semi perfeitos,
Como dois locais opostos habitados pelo mesmo indivíduo

Construindo pontes, e as rompendo
Como sonhos que se vão à metade do tempo

Tão cheio e tão vazio em seus anseios pessoais
Os dois lados da moeda não se atraem

Construindo pontes, e as rompendo
Como sonhos que se vão à metade do tempo

Os aplausos já não bastam
Os tambores também não
Nem a pintura, e nem os sorrisos
Pois tudo é tão vão (tão vazio)


-

Após essa reflexão, perfeitamente compreensível, não? Agora que incentivei o auto-questionamento dentro de vocês, trabalhem-o e façam jus a essa reflexão.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Hardcore e Moralismo

Há algum tempo eu não postava por aqui, mas como vocalista e apaixonado vertente do rock "hardcore", venho trazê-los um questionamento.

O Hardcore é um estilo musical proveniente da cultura punk, ou contra-cultura, ligada diretamente ao ativismo, à contestação social, à exposição das mazelas da sociedade, ao embate individual e ao questionamento em geral.

Com o passar do tempo, o Hardcore perdeu um pouco da essência crítica, pois antes além de crítico era ligado ao ativismo, em que as pessoas ligadas ao movimento saíam nas ruas, contestando a situação que os desagradava, inclusive correndo sérios riscos de serem espancados pela polícia, ou mesmo até presos.

Com o tempo ocorreu o que me convém chamar de ''marasmo moral'', em que mesmo o tom crítico das letras permanecendo, passou a haver a falta do ativismo, e as palavras passaram a ser somente palavras, daí o "marasmo moral" ao qual me referi anteriormente.

Hoje em dia o sentindo do "hardcore" meio que se perdeu, não só pela falta do ativismo no geral, como também pelo fato de que as bandas que ainda trazem alguma essência no som, ou seja, letras críticas, acabam no marasmo moral, nas palavras por palavras.. além do mais as bandas do estilo hoje em dia, são muito confundidas pelas pessoas com bandas do estilo ''emo'', ou ''emocore'', principalmente pelos leigos no assunto, o que contribuiu de forma negativa pro entendimento e engrandecimento do estilo, visando a real mudança.

Meu intuito neste post é questioná-los: Hardcore, real intenção de mudar ou apenas palavras por palavras (falso moralismo)?

domingo, 25 de outubro de 2009

Entrevista com Iago Barreto: Faina e o Underground cearense


Bem, recentemente fui cobaia de algumas alunas de jornalismo da Unifor (Universidade de Fortaleza). A missão: fazer uma revista com alguns temas pré-definidos. Elas escolheram a cena underground cearense como um deles, assim como a entrevista com a Faina, por fazer parte da cena cearense. Eu, como bom cobaia, respondi com toda atenção a todas as perguntas que me foram feitas, eis elas:

Quando e como surgiu a idéia da banda?

Bom, partiu de mim (Iago), que em meados do ano de 2004 passei a ouvir Hardcore. Por ser um som que carrega bastante energia, e bastante estimulante, me senti motivado a convidar amigos pra realizar aquele sonho de adolescente. Sonho este, que só veio se concretizar em novembro do ano de 2006, quando a banda surgiu.

O que significa o nome da banda e como foi escolhido?

O nome Faina surgiu de uma prova de literatura que eu fazia quando tinha 15 anos, na época (meados de 2004) eu começava a ouvir Hardcore, como dito anteriormente. Na prova havia a palavra ''faina'' em um texto literário, e o significado logo abaixo ”trabalho árduo/ trabalho prolongado”, e vem do latim eu acho ou do próprio português, não sei ao certo. O certo é que fiquei com isso em mente e gravei comigo mesmo ''minha primeira banda se chamará Faina''. O nome foi unânime entre os componentes da primeira formação da banda, pois eu nunca quis um nome em inglês, até porque seria um som tocado com letras em português, e por não assimilar a idéia de “americanização” das bandas brasileiras. Então: “Faina” um nome português e com um significado legal, ”trabalho árduo/ trabalho prolongado”, e uma banda em si é um trabalho prolongado, que demora anos se aperfeiçoando, e mesmo assim nunca se considera ideal, nada melhor, Faina.

Qual o estilo e as influências da banda?

O rótulo é algo bem claro pra nós, pois qualquer um que ouça nosso som dirá: “- Essa é uma banda de Hardcore”. E é isso, somos uma banda, sobretudo, de Hardcore. Porém em meio ao nosso som encontramos diversas influências de diferentes vertentes do rock, até pelas influências que formam cada um de nós componentes.
Falar de influências seria algo extenso, se formos pensar no contexto de cada um de nós. Mas não posso deixar de citar influências do estilo no nosso som. No âmbito nacional temos influência de bandas como: Dead Fish, A-OK, Switch Stance, Mutação, Colligere. Em uma abrangência internacional eu poderia citar os clássicos Bad Religion e Pennywise.

Onde a banda costuma tocar (bares, boates, festivais, casas de show, etc.)?

Habitualmente costumamos tocar no Hey Ho Rock Bar, o bar mais conhecido da cena alternativa de Fortaleza. Mas já participamos de festivais em outras casas de show, como o próprio Reggae Club (que fica na mesma Rua do Hey Ho), no Teatro Marista e até no Night Bar. Aonde estiverem chamando, estamos tocando!

Já apareceram em alguma mídia (televisão, jornal, rádio)?

Sim, uma vez tocamos em um programa da TV União intitulado “Eco TV”. Um programa bastante interessante de consciência ecológica que abre espaço para as bandas locais se apresentarem de forma acústica (de todos os estilos, do pagode ao rock). Tocamos algumas músicas do nosso primeiro trabalho de forma acústica, violões associados à voz.

Vocês se consideram alternativos (underground)? Por quê?

Somos uma banda Underground sim. Pois fazemos um som crítico, que foge dos padrões comerciais pré-estabelecidos, ou seja, “No Mainstream”, e mantemos uma postura ética perante o som que fazemos.

O que é ser alternativo/underground pra você?

É, sobretudo, fazer um som de atitude, que fuja dos padrões comerciais pré-estabelecidos e dos modismos tão habituais nos dias de hoje (Mainstream). Organizar eventos por conta própria também é bastante válido (Do It Yourself). E, associado a isso, manter uma postura ética perante o som que se faz, manter-se firme, uma questão de conduta.

Como você vê o cenário da música underground de Fortaleza? É bem desenvolvido? O que falta?

Bem, aqui em Fortaleza a cena é realmente carente se comparada a cidades como São Paulo (SP), por exemplo. Existem muitas bandas na ativa, não só na "elite" como também nas periferias. A cena funciona tanto nas periferias como nos locais “elitizados”, onde ocorrem eventos de diversos estilos, em que há uma verdadeira mescla das bandas de diversas vertentes do rock. Bandas de punk/hardcore, por exemplo, dividem palco com bandas de alternativo, emo, grunge, hard rock, metal, etc. Não costuma haver com muita freqüência eventos voltados pro mesmo estilo de rock. O Hey Ho é um monopólio, visto por muitas bandas como um “sonho”. Lá ocorrem constantemente muitos festivais de rock de diversos estilos, porém não é tão acessível para toda e qualquer banda que deseje tocar lá, talvez por isso seja visto como um “sonho”.
Há locais “elitizados” como o Reggae Club, que a princípio era uma casa de show voltada somente ao Reggae, mas de dois anos pra cá, aberta também aos rock’s, mesmo que de forma não habitual. Há também o “Mocó Stúdio” que fica na mesma Rua do Hey Ho e do Reggae Club (Rua José Avelino). Podemos levar em consideração a proximidade dessas casas de show, todas situadas na Praia de Iracema (Dragão do Mar), e por isso citei a palavra “elitizados”.
Há também os locais distantes da elite onde costumam ser realizados eventos de rock, tais como o Night Bar (Bairro Henrique Jorge), Clube Santa Cruz (localizado no centro da cidade), etc.
O que falta é uma maior integração entre bandas, não apenas almejando uma união, como também visando fazer eventos por conta própria, muitas vezes considerados ausentes. Querendo ou não, algumas vezes se submeter aos produtores não é favorável. Pois alguns deles visam o dinheiro, e não o festival como uma integridade. Portanto deve haver união recíproca por parte das bandas.

Como é a convivência com outras bandas e outros estilos como o Heavy Metal, por exemplo?

A convivência é boa, pelo menos da minha parte, já fiz amizade com muitas pessoas que tem bandas de diversos estilos de rock diferentes. Em um aspecto geral o que observo é uma tendência a amizade, troca de idéias, etc. Até porque pra cena funcionar umas dependem das outras, numa relação mútua.

É ou já foi vítima de qualquer forma de preconceito?


Sim, de pessoas leigas. Os leigos no assunto (geralmente não roqueiros) costumam confundir bandas de Hardcore em sua real essência com o som “emo”. Já ocorreu de pessoas que não entendem nada de rock, chegarem pra mim e perguntarem se sou “emo”. Talvez fosse brincando, mas o tom foi sério. Apenas disse que não era, e que minha banda tocava Hardcore, um som, sobretudo, de muita atitude que foge de padrões comerciais como o “emo”, por exemplo.